No outro dia fui ao Pingo Doce , e estava já na caixa para pagar, com o carrinho cheio até acima, e quando vou a marcar o código para pagar com o cartão multibanco, eis que fico PINanalfabético, e o sacana do código do cartão dá de frosques e deixa-me ali sozinho!
Erro na 1ª tentativa, e penso: fod*-se (!), estes gajos já vão ficar a pensar que venho para aqui fazer compras e não tenho dinheiro.
O pânico toma conta de mim, e quando dou por ela já estou a carregar nos botões todos, como se estivesse a jogar um jogo de porrada na playstation!
O suor começa a aparecer, e começo seriamente a pensar em mandar-me para o chão e fingir um desmaio.
A outra hipótese que coloquei foi começar a fazer um sapateado para os distrair, e no momento exacto correr porta fora.
Mas, bolas, não tinha trazido os sapatos adequados.
Então tento sacar de um segundo cartão, mas a zona do cérebro onde guardo estas coisas tinha sofrido um apagão total.
A tipa da caixa dizia-me “deixe lá, isto acontece”, mas com o olhar terminava a frase com “acontece aos caloteiros”…
Nunca desejei tanto ter uma pá, como naquela altura, para cavar um buraco bem grande, dali para fora.
Nesta altura, já era possível estrelar um ovo na minha cara, ou mesmo acender um cigarro.
Na minha cabeça, os neurónios gritavam de pânico, e tentavam a fuga pelos ouvidos, pois o reactor já estava em sobreaquecimento e prestes a rebentar.
Ainda assim, tentei colocar um ar digno, mas aquele sorriso estúpido, de quem está comprometido, não me saia da cara, e pedi para me guardarem o carrinho, que já voltava. A caixa respondeu-me educadamente que sim, mas novamente terminou a frase com o olhar dizendo, “como se cá voltasses, ó caloteiro”.
Saí, com os olhares daquela gente toda, cravados na minha nuca, e fui direito a um multibanco, fazer umas tentativas no teclado, sem colocar o cartão.
Parecia um maluco a carregar nas teclas e a falar para a máquina.
O cérebro começou a arrefecer, e a calma começou a instalar-se, e os números de repente apareceram na ponta dos meus dedos!
Coloquei o cartão para experimentar, e confundi os códigos dos cartões!
Não estava fácil.
Percebi o erro, e então guardei os números correctos e bem associados na minha cabeça.
Última tentativa, com os cartões prestes a bloquear, já não havia margem para erro.
Calma.
Voltei a entrar.
Peço para pagar.
Bingo! À primeira!
Levanto os braços, e grito “Pimba! Enche!Toma lá!” (bom, pelo menos foi assim que aconteceu na minha cabeça).
Já sabia que no Pingo Doce podia comprar cócorócó, mas não sabia que também podia lá comprar dignidade!
Impressionante, hoje em dia já vendem de tudo!
"Pingo Doce, venha cá...mas não se esqueça do cócórócódigo!"
Abracinhos
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